Palestrante, vendedora de pão de queijo e dona de casa: após 30 anos, como vivem 'meninas' que dizem ter visto ET em Varginha
09/01/2026
(Foto: Reprodução) 30 anos depois, testemunhas do caso Varginha mantêm relatos; veja como estão hoje as 'Meninas do ET'
Reprodução TV Globo
As meninas que ficaram conhecidas nacionalmente por relatarem ter encontrado um extraterrestre em Varginha (SP) seguem com a mesma versão sobre o que viram naquela tarde de janeiro de 1996. Hoje adultas, com famílias, filhos e netos, apesar das polêmicas, contradições e questionamentos que cercam o caso ao longo de quase três décadas, nunca deixaram de sustentar seus relatos e não há qualquer indício de que tenham se beneficiado com a história.
As mulheres falaram sobre o que viveram no último episódio da série documental "O Mistério de Varginha", que foi exibido nesta quinta-feira (8), na TV Globo. O especial promoveu um encontro entre elas no local onde teriam visto o alien. (confira mais abaixo)
📺 Uma coprodução entre Estúdios Globo e EPTV, o especial é composto por três episódios exibidos nos dias 6, 7 e 8 de janeiro em todo o Brasil, logo após "O Auto da Compadecida 2". Eles revisitam um dos casos ufológicos mais conhecidos do mundo, que projetou a cidade mineira internacionalmente após relatos de encontros de moradores da cidade com criaturas extraterrestres.
📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram
Katia Xavier e as irmãs Liliane de Fátima Silva e Valquíria Silva tinham, respectivamente, 22, 16 e 14 anos quando o episódio aconteceu. Carregado de segurança, convicção, sinceridade e emoção, o depoimento delas é a parte mais emblemática da história. Veja a seguir como está a vida de cada uma atualmente e como o caso repercutiu para elas.
Kátia, a palestrante
Hoje palestrante e cuidadora de idosos, Kátia diz que falar sobre o episódio faz parte da própria história.
“Eu tenho prazer em contar a minha história, entende? Eu amo contar a minha história, amo cada detalhe daquele dia. As pessoas perguntam: ‘Mas você ficou com depressão e ainda assim acha legal?’. Sim. Eu não tenho medo de contar a verdade do que eu vi. Vou contar sempre, para que isso fique como um legado para os meus filhos e para os meus netos”, disse Kátia Xavier, uma das testemunhas.
Leia também:
'Eu vou ser sempre a menina que viu o ET': vídeos inéditos revelam a origem do caso em Varginha
Testemunhas relatam bullying e depressão: 'Falaram que poderia estar grávida do ET'
Ufólogo que ajudou a projetar caso ET diz que história não existiu: 'Não acredito em mais nada'
De 'casal de anões' a 'mudinho': como autoridades contestaram suposta aparição de ET em Varginha
Kátia Xavier hoje trabalha dando palestras e como cuidadora de idosos
Reprodução TV Globo
Valquíria, vendedora de pães de queijo
Valquíria, que hoje trabalha com a produção e distribuição de pão de queijo para lanchonetes e buffets da cidade, avalia que a experiência não trouxe benefícios.
“Acho que isso não me trouxe muita coisa boa, não. Pelo contrário, só dor de cabeça. Às vezes o povo fala: ‘Nossa, que experiência boa que você teve’. E eu digo: ‘Gente, não foi. Não foi uma experiência boa’. Se eu tivesse que escolher passar por isso ou não passar, eu não passaria", contou.
Hoje Valquíria tem dois filhos, de 19 e 6 anos. A filha mais nova já fala: ‘Minha mãe viu um ET na cidade dela”, contou.
Valquíria trabalha com produção de pães de queijo e é mãe de dois filhos
Reprodução TV Globo
Liliane, mãe e avó
Liliane também construiu sua vida longe dos holofotes. Hoje, é mãe, avó e descreve uma rotina simples, dedicada à família.
“Eu tenho uma filha e um netinho, mas meu marido também tem uma filha que tem um filho. Então, hoje eu tenho dois netinhos. A gente passeia muito, brinca bastante. Ele vai almoçar na minha casa, fica o dia inteirinho, dorme comigo. A gente vai à pracinha, ao parque, ao shopping, faz de tudo", contou.
"Olha, hoje, trinta anos depois, como eu sempre digo, essa é a minha história. Eu vivi. Eu venci todos os preconceitos. Então, não digo que eu não queria ter vivido isso; eu digo que eu venci isso. Mas, se fosse lá atrás, passar por tudo de novo, eu não queria”, disse Liliane.
Liliane é mãe e avó e tem uma rotina dedicada à família
Reprodução TV Globo
A matriarca
As "meninas d ET", hoje mulheres, destacaram o apoio incondicional de Dona Luísa, mãe de Liliane e Valquíria, durante todo esse tempo.
“Acho que a melhor ajuda que nós tivemos foi a de Deus e a da mãe delas. A Luisa foi tudo para nós. Primeiro Deus, né, gente? Deus conduziu todo o processo. Mas a Luisa segurou a barra, segurou a onda. Ela é mãe delas, mas teve que ser também minha mãe, minha amiga. Em uma pessoa só, foram muitos papéis. Tudo o que acontecia, eu corria para a casa dela", disse Kátia.
"Não foi fácil, não foi brincadeira. Não foi e não vai ser. Em muitos momentos, eu me sentia muito sozinha, e saber que a mãe delas estava ali, forte, fazia toda a diferença. Sempre firme, sempre dizendo: ‘Pode vir, vem cá, me abraça. Toma isso, toma um chá. Vamos lá, vai dar certo, vai dar certo’, disse Kátia.
Dona Luísa Helena da Silva diz que o episódio marcou profundamente a família.
“Eu queria, do fundo da minha alma, que isso não tivesse acontecido com as meninas. Que tivesse acontecido com outras pessoas. Tem muita gente que sente orgulho, e eu não tenho orgulho nenhum. Isso trouxe muito medo, muito nervosismo, muita preocupação. É isso”, disse Luisa, mãe das meninas.
De volta ao terreno
Três décadas depois, as mulheres voltaram juntas ao local onde dizem ter visto a criatura. A reação foi imediata: o clima descontraído mudou assim que chegaram ao terreno.
“Dá medo, dá aflição, volta tudo, como se a gente estivesse vivendo aquele momento de novo”, relatou Kátia.
Liliane concorda: “Passa um filme na cabeça. As mesmas emoções e sentimentos”.
Para elas, retornar ao local nunca é algo simples. “A gente não volta sorrindo. Aqui começou tudo, aqui começou a nossa história. As pessoas acreditando ou não, você sente a presença”, afirmou Kátia.
Testemunhas que teriam visto suposto ET retornam a terreno após 30 anos
Reprodução TV Globo
Liliane diz que a sensação é semelhante. “A gente acaba revivendo a história. Parece que sente a presença da criatura de novo”.
Emocionada, Kátia pede licença e deixa o local. As amigas dizem que ela passa mal sempre que retorna ao terreno.
Pedido de desculpas
Em um dos momentos mais emocionantes do reencontro, Kátia pediu desculpas às amigas por estarem juntas no dia do suposto avistamento.
“Eu nunca tive esse privilégio e gostaria de pedir desculpas a elas, à Liliane e à Valquíria, por eu estar com elas naquele dia e isso ter acontecido com nós três. Talvez não precisasse; eu poderia ter passado sozinha. Mas, por eu tê-las chamado e por estarem comigo naquele dia, isso aconteceu. E elas não ficaram felizes com isso, por terem visto um ET, por isso ter atrapalhado a vida delas”, disse Kátia.
Apesar do sofrimento, a ligação entre elas permanece forte.
“Acho que tudo acontece porque tem que acontecer. Se apareceu para nós três, é porque nós três fomos escolhidas. A Cátia é como se fosse uma irmã mais velha. É muita história junta: viagens juntas, sofrimento junto”, disse Liliane.
Meninas que teriam visto o ET de Varginha ainda demonstram forte ligação 30 anos após o caso
Arquivo EPTV
O Mistério de Varginha
Ao longo de três episódios, a série documental “O Mistério de Varginha” revisita o caso que ganhou repercussão internacional há 30 anos no Sul de Minas, reunindo depoimentos inéditos, além de documentos, áudios, arquivos históricos e registros oficiais nunca exibidos. A investigação apresenta diferentes versões sobre o que teria acontecido na cidade e confronta relatos que marcaram o episódio.
TV Globo exibe série documental ‘O Mistério de Varginha’
Jackson Amorim/EPTV
Entre os entrevistados estão personagens centrais da história, como o ufólogo Ubirajara Rodrigues, o primeiro a investigar o caso. A série aborda a mudança de posição dele ao longo dos anos, já que, depois de defender a existência da suposta criatura, passou a afirmar que ela nunca existiu. O documentário também traz depoimentos de militares, relatos de moradores e a recuperação de materiais jornalísticos da época.
A produção acompanha ainda Kátia, Liliane e Valquíria, conhecidas como as “três meninas do ET”, que relembram o episódio e mostram como estão atualmente. Dirigida por Ricardo Calil e Paulo Gonçalves, a série vai ao ar após O Auto da Compadecida 2 e também ficará disponível no Globoplay, com produção executiva de Fernanda Neves e direção artística de Monica Almeida.
Veja FOTOS dos bastidores:
'O Mistério de Varginha'
Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas