(Foto: Reprodução) Prédio icônico de Niemeyer em BH está no centro de briga judicial
Maria Lima das Graças, de 78 anos, que foi síndica do icônico Edifício JK por mais de 40 anos, morreu nesta sexta-feira (13). A informação foi divulgada por seu advogado.
Ela esteve internada em agosto de 2025, no Hospital Felício Rocho, no Barro Preto, Região Centro-Sul da capital. Em novembro Maria Lima foi afastada de forma permanente do cargo de síndica do edifício, por não ter condições de saúde para retomar as atividades.
O corpo da ex-síndica será velado neste sábado (14), a partir das 13h, no cemitério Bosque da Esperança, no bairro Jaqueline, região Norte de Belo Horizonte.
Desde que Maria Lima foi internada, a administração está sendo tocada interinamente pelo gerente do edifício, Manoel Gonçalves de Freitas Neto. Ele ocupa funções no prédio há 20 anos e também foi eleito subsíndico.
Em fevereiro de 2026, a Justiça de Minas Gerais condenou o condomínio e Manoel Gonçalves, por crimes ambientais relacionados ao patrimônio cultural. A decisão aponta que houve omissão na conservação do prédio tombado e risco ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), que funciona no local.
O condomínio do JK, como pessoa jurídica, foi condenado ao pagamento de R$ 300 mil, valor que deverá ser destinado a uma entidade pública ambiental ou cultural indicada pela Justiça.
Já Manoel Gonçalves de Freitas, como pessoa física, recebeu uma pena de três anos, um mês e nove dias, em regime aberto, inicialmente. A prisão foi substituída por prestação de serviços à comunidade, prestação pecuniária equivalente a dois salários-mínimos e multa.
Maria Lima das Graças, ex-síndica do edifício JK, em BH
Reprodução/ Redes Sociais
Síndica comandou o Edifício JK por mais de quatro décadas
Conhecida pela longa permanência à frente do condomínio, Maria Lima administrou o edifício por cerca de quatro décadas e se tornou uma figura central na história recente do prédio. Durante sua gestão, acompanhou diferentes fases do JK, incluindo o processo de tombamento do edifício como patrimônio cultural.
A saída definitiva de Maria Limas do cargo ocorreu em meio a disputas judiciais e questionamentos de moradores sobre a gestão do condomínio. Em 2024, o Ministério Público chegou a apresentar denúncias relacionadas à conservação do edifício, apontando problemas estruturais e a ausência de documentos obrigatórios, como o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
Eleições questionadas
Em 2021, moradores tentaram anular na Justiça a assembleia que reelegeu Maria Lima das Graças. A tradutora Julieta Boedo, que concorreu à eleição, afirmou que a síndica teria exigido uma caução de R$ 4 milhões para permitir a participação da chapa opositora, gerando contestação entre os condôminos.
Na época, a defesa de Maria Lima negou falta de transparência nas eleições e disse que moradores não tiveram competência para a formação de uma chapa contrária à da síndica.
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