Autora de 'A morte é um dia que vale a pena viver' alerta que as pessoas estão em dívida com os seus afetos: 'Quem vai te amar até o fim da vida?'

  • 03/05/2026
(Foto: Reprodução)
Flipoços reúne escritores e leitores em mais de 200 atividades em Poços de Caldas Estamos todos endividados. E não financeiramente. Para a médica paliativista Ana Claudia Quintana Arantes, vivemos um tempo de “endividamento dos nossos afetos”. Acumulamos dívidas que não aparecem em extratos bancários, mas pesam silenciosamente nas relações e, assim como o endividamento monetário, irão determinar a condição de como terminaremos nossos dias. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram "A vida reserva para a gente uma morte na medida da nossa vida. E isso inclui como fomos com as pessoas que estão à nossa volta", diz. A reflexão foi feita durante a participação da médica e escritora no Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), realizado na cidade mineira até o próximo domingo (3). 📚 Confira os destaques da programação do Flipoços Um dos maiores nomes em cuidados paliativos no Brasil, Ana Claudia é autora de diversos livros sobre a finitude. Sua primeira obra, "A morte é um dia que vale a pena viver", lançada em 2016, se tornou referência sobre o tema. Nele, a autora destaca que o que deveria assustar não é a morte em si, mas a possibilidade de chegar ao fim da vida sem aproveitá-la. "A gente está em um momento de endividamento dos nossos afetos", diz a paliativista Ana Claudia Quintana Arantes Divulgação Ana Claudia Quintana Arantes: 🩺 Profissão: médica referência em cuidados paliativos 📖 Livros: - A morte é um dia que vale a pena viver - Linhas pares - Histórias lindas de morrer - Pra vida toda valer a pena viver - Mundo dentro - Cuidar até o fim: como trazer paz para a morte - Onde fica o céu? (infantil) Amar até o fim Durante a mesa “Amar até o fim: afetos, cuidado e a condição humana” no Flipoços, realizada em conjunto com o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, a médica chama a atenção para como o comportamento com a rede de contatos no dia a dia determina como será a caminhada para o final da vida. "Quem vai te amar até o fim da vida?", questiona a médica. “A gente está sempre em dívida”, afirma. A dívida, nesse caso, é de gestos simples não realizados: uma visita adiada, uma ligação não feita, um encontro que não sai do plano. Na correria cotidiana, pequenos adiamentos se acumulam até se tornarem grandes débitos difíceis de pagar. A médica observa que a conta desse endividamento é apresentada no fim da vida. “Pense em uma pessoa que faz tempo que você não vê e saiba que essa pessoa vai morrer um dia. E pode ser que você se arrependa de não ter ficado cinco minutos ali”, provoca. Ana Claudia Quintana Arantes participa de conversa no Flipoços 2026 com o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral Fabiana Assis/g1 Ela chama a atenção para a ironia de que, no momento de mais conexão tecnológica da humanidade com tantas ferramentas de comunicação, o ser humano está mais desconectado das suas relações, está sempre ocupado, ouvindo áudios na velocidade 2x e esperando receber conexões, em vez de tomar uma atitude para buscá-las. “Tem um monte de mãe que fica reclamando que o filho não liga, mas a criatura não liga para os filhos. Você quer ouvir a voz do seu filho ou você quer que ele te ligue?”, provoca. Ela sugere gestos que podem parecer pequenos, como enviar um áudio dizendo “eu te amo”, mas que ganham enorme importância no momento de luto. “O dia em que você morrer, quem recebeu vai encontrar esse áudio. E isso vai salvar a vida dele.” Estes gestos de presença abastecem uma poupança para o futuro. A médica alerta para o fato de que nem todos os afetos estarão ao lado no fim da vida e que as pessoas que permanecem não surgem por acaso, são resultado de relações cultivadas ao longo do tempo. “É uma grande prova para saber se você realmente escolheu bem as pessoas à sua volta, quem vai dar conta de olhar para você no final da vida. O amar até o fim é capaz de lidar com o feio, com o difícil. Afeto é você ter a coragem de estar junto, mesmo estando cansado.” A médica e escritora Ana Claudia Quintana Arantes participa do Flipoços 2026 Fabiana Assis/g1 Ana aponta que a capacidade de permanecer é cada vez mais escassa. Não apenas por falta de tempo, mas por dificuldade emocional. Estar com alguém no fim da vida implica lidar com dor, limites e finitude, temas que muitos evitam. Algumas pessoas não encontram apoio nem mesmo em círculos próximos. A dificuldade de cuidar, segundo ela, está ligada a um baixo poder de conexão e à incapacidade de lidar com as próprias emoções. A solução para quitar as “dívidas”, de acordo com a médica, exige atenção ao essencial: tempo, presença e disponibilidade emocional. No fim, Ana deixa uma provocação: “Quem você vai ser quando for ausência? Vai ser saudade ou vai ser alívio?” Flipoços Flipoços 2026 reúne mais de 40 expositores em Poços de Caldas Flipoços/Divulgação O Festival Internacional de Literatura de Poços de Caldas (Flipoços) está entre os principais eventos literários do Brasil. A 21ª edição ocorre entre os dias 25 de abril e 3 de maio, no Parque José Afonso Junqueira, com mais de 200 atividades literárias, musicais e gastronômicas, em vários espaços. A temática desse ano é cartas e diários na literatura. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/05/03/autora-de-a-morte-e-um-dia-que-vale-a-pena-viver-alerta-que-as-pessoas-estao-em-divida-com-os-seus-afetos-quem-vai-te-amar-ate-o-fim-da-vida.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Top 5

top1
1. Deus Proverá

Gabriela Gomes

top2
2. Algo Novo

Kemuel, Lukas Agustinho

top3
3. Aquieta Minh'alma

Ministério Zoe

top4
4. A Casa É Sua

Casa Worship

top5
5. Ninguém explica Deus

Preto No Branco

Anunciantes